sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Pró-Democracia, muito prazer vê-la aqui

Foto de Well Silva, Orkut



Hoje foi o dia que o Rio de Janeiro mostrou porque sempre foi a vanguarda política do Brasil, 7 mil pessoas vestidas de preto, com os rostos pintados, nariz de palhaço apitos, bumbos e tambores, marcharam pelas ruas em uma passeata que lembrou as célebres concentrações de estudantes dos anos 60.

Mas porque dizer isso de uma manifestação considerada "pequena" por alguns "militantes profissionais" que se gabam de ter fechado a Rio Branco inteira?

Porque este movimento, o Pró-Democracia, não nasceu sob a bandeira de nenhuma organização política, partidária, trabalhista ou estudantil, nasceu apenas da vontade das pessoas que se sentiram ludibriadas por terem sido instadas a comparecer às urnas e votar naquele candidato que lhes parecesse mais correto.

E o que assistimos não preciso contar aqui, é mais do que conhecido, o resultado da eleição frustrou muitos, mas principalmente não representou a vontade da maioria das pessoas.

Apesar de numericamente os votos terem dado a vitória à Eduardo Paes, sabemos que muitos de seus votos foram conseguidos através de calúnia, suborno e opressão, que os torna ilegítimos, porque alteraram a vontade das pessoas contra a sua vontade ou iludindo a sua vontade.

Então por isso, por conta da propaganda dos "4 anos com a abelha no ouvido" é que o movimento está nas ruas, com o mesmo sentimento único que marcou as manifestações de estudantes do passado.

Em vez de passe livre ou professores, o que esses jovens foram reinvindicar é o direito de no futuro terem segurança jurídica de acreditar que há um poder maior que consiga impedir que essa nova classe de políticos chegue ao poder.

De cara conseguiram angrariar vários inimigos, a começar dentro dos próprios partidos políticos, pois MPD (Movimento Pró-Democracia) não nasceu sob a tutela de ninguém, ele foi uma geração espontânea criada no éter, na internet, e que ganhou as ruas numa comunhão de vontades que transcendem os estatutos partidários ou as colorações políticas.

Para os partidos isso pode significar o fim, uma das bandeiras do MPD é a reforma eleitoral já, isso acontecendo eliminaria mais de 50% dos partidos nanincos e as legendas de aluguel, questões como infidelidade partidária seriam tratadas com rigor e não aconteceriam casos como o candidato eleito que tem um histórico de passagens por 6 partidos.

E principalmente isso marca uma nova era da sociedade se relacionar com o poder, em que o cidadão recupera o seu respeito diante da autoridade e todas as bandeiras partidárias são substituídas por uma única que é a da nação brasileira.

Isso incomoda muito, principalmente a essa nova geração de políticos representadas por este boneco de ventríloco que se apresenta como prefeito.

São pessoas sem escrúpulos cujo mantra que entoam é "vencer a qualquer custo", como se o poder fosse uma reunião da tupperware para ver quem faz mais pontos.

Para isso eles se apropriam do discurso que mais lhes interessam, uma hora posam de populistas outra hora posam de extrema direita, e principalmente tem uma tendência terrível ao autoritarismo, porque afinal de contas ninguém sabe o que lhes passa pela cabeça, então não sabem trabalhar em conjunto ou afinados com a sociedade.

Nem preciso citar que em uma semana ele já conseguiu frustrar dois de seus aliados de campanha, negando-lhes cargos, até mesmo o PT, do presidente "amigo" do Rio ainda não conseguiu colocar seu pé dentro da sala de reunião onde se discute os cargos a serem distribuídos para os aliados, por enquanto só ganharam cargos dois amigos de longa data, um tecnocrata do governo anterior e um médico cujas referências são um tanto quanto nebulosas.

Muito pouco para quem prometeu mundos e fundos para a cidade, até agora o que vi de mudanças na cidade foram outdoors coloridos com a palavra UNIR em letras garrafais, aliás, alguém apresente à equipe de propaganda do candaidto eleito um programador visual, porque aquilo é ridículo.

Mas voltemos à passeata:

Foi de arrepiar, chegamos à cinelândia por volta de 11 e meia, já tinha bastante gente, algumas pessoas pintavam faixas no alto da escada, tinha espaço, deviam haver umas mil pessoas, já era uma aglomeração consideravel para um movimento que tinha surgido do nada em quatro dias já tinha mais de 13 mil pessoas associadas na internet, cheguei a comentar com a minha esposa: "se for isso já está muito bom, já dá uma visibilidade muito boa".

Mas me enganei, cada vez mais pessoas apareciam de todos os lados, de preto, com cartazes e faixas, mas ao contrário que se podia pensar que o preto simbolizaria luto e tristeza, estavam todos alegres, empolgados porque o movimento ganhara vida física diante dos seus olhos, o que eram fotos e ícones e apelidos viraram pessoas de carne e osso, identifiquei vários interlocutores de madrugadas insones no orkut andando pela multidão, não sei se fui reconhecido, mas também não me importava, estávamos lá e isso sim importava, e muito.

Quando surgiu aquela enorme bandeira do Brasil, tremulando sobre a multidão, o primeiro arrepio, caramba, quem poderá fazer algo contra nós debaixo desse imenso pavilhão verde-e-amarelo? E no megafone um dos organizadores pediu que nos déssemos as mãos e cantássemos o hino nacional, e cantando nossas vozes ecoavam na imensa praça já lotada de gente, pessoas desciam dos ônibus, vestidas de preto, outras não, correndo para se juntar a nós, muitos pegavam os celulares perguntando pelos colegas numa rede de ajuda mútua sem fio, o ar estava carregado de uma eletricidade boa, daquela que sentimos quando estamos perto de assistir algo grandioso.

Então nos pusemos em marcha, não se antes entoar mais uma vez o hino nacional, dessa vez muito mais forte, sentindo que o som se propagava cada vez mais longe vindo das gargantas daqueles jovens cheios de vida e pela primeira vez se sentindo vivos.

E de preto nós fomos, com nossos, tambores, tamborins, apitos e vozes descendo a Araújo Porto Alegre, nas calçadas as pessoas incrédulas olhavam meio que boquiabertas, algumas com sorriso nos lábios, muitos com seus celulares nas mãos tirando fotos, nunca uma passeata foi tão fotografada e filmada, estávamos fazendo a história de dentro da história.

Dos prédios assomavam cabeças, no princípio curiosas, depois acenos, papéis picados jogados das janelas lá no alto (um amigo meu na faculdade hoje a noite me disse que estava vendo da janela do escritório dele e ficou tão desesperado que não podia descer que fez um monte de papel picado e jogou pelas janelas, e depois descobriu que tinha picado documentos da empresa!).

Em frente a ABI, de lutas históricas pela democracia várias pessoas se apinhavam na portaria e na calçada em frente para ver a nossa passagem, mais a frente o Palácio Gustavo Capanema, que tantas vezes abrigou sobre seus pilares manifestações como aquelas e que agora de suas imensas janelas as pessoas se acotovelavam para nos ver passar.

Fomos andando, cercados pelo cordão segurança da PM, nos cruzamentos, a Guarda Municipal bloqueava o trânsito à nossa passagem, não sentíamos nenhuma ameaça da parte deles, eles estavam ali fazendo o seu trabalho e nós cumpríamos nossa parte do trato, nos comportando, andando, cantando, acenando para as janelas que retribuíam nossos acenos, viramos a esquina da Pres. Antônio Carlos e aquela enorme avenida de 4 faixas pareceu engolir a multidão, mas nós ficamos junto aos prédios, nos ônibus que passavam cabeças se voltavam, dedos apontavam, mais celulares, fotos, nas mãos levantadas pro alto os gadjets de última geração tentavam guardar aquelas lembranças daquele momento único e mágico.

Entramos na Presidente Wilson, conforme o acordo, deveríamos deixar meia rua para a passagem dos carros, não dava, era um mar de gente, vindo de todos os lados, agora sem nenhum pudor transeuntes entravam na passeata conosco, cheguei a ver um jovem de camisa social com um nariz de palhaço gritando slogans ao nosso lado, ganhamos a cidade, o Centro da Cidade nos abraçava e nos dava as boas vindas.

Das janelas mais pessoas, as janelas que mantinham os escritórios hermeticamente fechados em seu ambiente refrigerados eram abertas para junto do ar fresco entrarem os gritos dos manifestantes “Ei... você que está olhando... alguém está te roubando.." e “desce.. desce”, um rapaz simulou tentar passar pela janela e foi ovacionado “.. pula.. pula.. pula..” algumas meninas do escritório pegaram papéis escreveram algo em letras garrafais que não conseguimos ler, mas a ovação foi geral.

Das janelas do prédio do TRE mais gente aplaudindo efusivamente “ué, mas não era feriado?” perguntaram, “ é o pessoal do TSE de Brasília que está aqui, está havendo plantão no Tribunal” de duas janelas diferentes apareceram bandeiras do Brasil, oficiais, daquelas de colocar no mastro mesmo, eles sabiam por que estávamos lá e nos aplaudiam, o povo encontrava o poder de forma pacífica e irmanada no mesmo ideal: justiça.

"JUSTIÇA... JUSTIÇA... JUSTIÇA” era o brado em frente do Tribunal, às nossas costas o prédio da ABL com um Machado de Assis nos olhando de um conjunto de fotos que o mostrava em várias fases de sua vida, como se dissessem, “jovens, ah esses jovens, sua carne pode fenecer, mas seu espírito é imortal”, abençoados pelo olhar de Machado o orador agora de cima do carro de som, péssimo por sinal, não dava pra ouvir nada estando a mais de 10 metros dele, pediu para que todos sentássemos para fazer um minuto de silêncio.

Então aconteceu um momento mágico, o que era antes um barulho ensurdecedor desapareceu completamente, sentados ouvimos o vento nas árvores, nem buzinas de carros, nada, era como se o tempo tivesse parado e todos ficamos ali, como se fosse uma eternidade, pensando, pedindo, orando, ou simplesmente esperando.

Quando terminou, nos levantamos, aplaudimos, gritamos, apitamos, como se fosse uma grande catarse, como se fosse para despertar toda a cidade de um estupor milenar.

Ouvimos do orador que as denúncias foram protocoladas, apresentaram o protocolo como se fosse um troféu, e era, ali estava o reconhecimento que aquelas milhares de pessoasi não foram à toa, e então nos convidou para pela última vez cantarmos o hino nacional.

Dessa vez foi mais belo, mais forte, o som foi longe, lá de dentro da ABL, nas janelas as pessoas também entoavam o hino, estávamos todos juntos no mesmo sentimento de algo maior estava sendo selado ali, um pacto de respeito e cidadania.

No final, quando o orador disse que estava tudo terminado, que tudo havia sido perfeito, que agora era hora de voltarmos para casa e continuarmos o trabalho de fortalecer o movimento e esclarecer as pessoas sobre o que realmente queremos, uma faixa foi entregue e aberta sobre o caminhão, nela dizia:

“Juntos, somos MAIS fortes.”

E somos mesmo.

E a milícia entrou pela porta da frente.

Acordo entre Paes e vereadores adia votação de projetos na Câmara

Prefeito eleito quer sua equipe examinando propostas que afetem finanças.
Suspeitos de envolvimento com milícia participam de reunião.

Daniella Clark Do G1, no Rio

As propostas em andamento na Câmara de Vereadores do Rio que afetem as finanças do município vão ficar em banho-maria até que sejam analisadas pela equipe de transição do prefeito eleito Eduardo Paes (PMDB). Entre elas, estão projetos que prevêem incorporação de gratificações e outras vantagens para os servidores públicos municipais. Esse consenso foi firmado nesta quinta-feira (30), durante a reunião de Paes com vereadores na Câmara municipal. Ainda não há data para a votação desses projetos, que acertam em cheio o bolso do funcionalismo.

"Fiz dois pedidos aos vereadores. Que todas aquelas mensagens que existissem em tramitação na Câmara que dissessem respeito às finanças do município, a receitas ou despesas, que eles aguardassem um pouco para votar até que a equipe de transição pudesse se manifestar a respeito dessas mensagens. E também em relação ao orçamento, que a equipe de transição pudesse participar das discussões do orçamento do ano que vem", disse Eduardo Paes, ao deixar a Câmara municipal.

Funcionalismo: polêmica

No encontro, no entanto, a polêmica teria girado em torno do impacto de projetos do funcionalismo no orçamento da prefeitura, que teriam apoio da bancada do DEM.

"O vereador Paulo Cerri (DEM) disse que recebera orientação do prefeito Cesar Maia para que viabilizasse todas as sugestões encaminhadas pelo prefeito eleito Eduardo Paes, mas que indo a plenário propostas encaminhadas pelo prefeito Cesar Maia a respeito do funcionalismo público, os Democratas votariam favoravelmente", disse o vereador Jorge Felippe (PMDB).

O consenso, segundo Jorge Felippe, prevê que as comissões da Câmara vão postergar o envio desses projetos ao plenário.

"São projetos que implicam em onerar o erário, implicam em despesas. A idéia é segurar para que a equipe possa proceder o impacto financeiro da folha", disse Jorge Felippe, acrescentando que Paes poderá sugerir mudanças a partir da bancada do PMDB na casa.

Quem estava na reunião

Participaram da reunião 38 vereadores e outros dez eleitos nas últimas eleições, entre eles suspeitos de envolvimento com milícias como Carminha Jerominho. Perguntado sobre sua posição em relação aos vereadores eleitos suspeitos de envolvimento com grupos paramilitares, que atuam em comunidades carentes do Rio, Paes foi taxativo:

"Minha posição é que eu sou o prefeito da cidade e eles são vereadores eleitos. Não compete a mim mudar, compete a mim respeitar o parlamento municipal".

Vereadores tietes

Eduardo Paes foi recebido com festa e a tietagem de alguns vereadores incluiu tirar fotos ao lado do prefeito eleito. Ao ser perguntado sobre pressões de outros partidos para nomeação de cargos e secretários, Paes afirmou que todas as designações são de sua inteira responsabilidade.

"Ninguém coloca a faca no meu pescoço, ninguém me obriga a absolutamente nada. O prefeito é que vai cobrar deles a execução das políticas que nós definimos, quem for bem permanece, quem não for bem vai para casa".

http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL843644-5606,00-ACORDO+ENTRE+PAES+E+VEREADORES+ADIA+VOTACAO+DE+PROJETOS+NA+CAMARA.html





Sinceramente, vou pedir pro Gabeira fazer um bilhete de loteria pra mim, quando ele falou no último debate que a milícia "entraria pela porta da frente da prefeitura" de braços dados com Eduardo Paes muita gente deve ter achado que ele estava exagerando.

Mas não é que aconteceu mesmo? Além de entrar com os milicianos eleitos, foi até gente que já deveria estar cassada, quer dizer que agoras as assembléias a serem feitas pedirão pelo decoro além de terno e gravata o uso de coletes a prova de balas.

Bom, isso não é nada comparado ao que ele foi pedir aos vereadores, numa clara interferência aos trabalhos legislativos, solicitar que não façam mais emendas ao orçamento.

Está mais do que claro que as gratificações dos funcionários da prefeitura vão embora nessa freada de arrumação, faltando dois meses para o término do mandato de César Maia a casa ainda não fechou o orçamento.

Para quem achava que a eleição de Paes ia ser uma melhora na administração pública os primeiros sinais são desoladores, primeiro ele nomeia um político do PSDB(??) para ser seu chefe da Casa Civil (modesto ele, só em outro lugar tem Casa Civil, a Presidência da República), depois nomeia um Secretário de Saúde que se apresentou e disse que daqui a quinze dias volta com uma solução para a dengue.

Muito pouco para um candidato que se dizia capacitado para cuidar de tudo da cidade e que prometeu que em seu primeiro dia de mandato nomearia o secretário de saude.

Mas o que ele fez na verdade foi acordar com uma baita cara de ressaca e ir todo mal ajambrado dar uma entrevista ao vivo na Globo, onde os jornalistas todos sorridentes (imagino que alguns estavam sorrindo de raiva) fizeram um monte de perguntas e o candidato respondia como se ainda estivesse nos debates pré eleição.

Ficou devendo a nomeação, foi pra Brasília fazer beija-mão com o presidente e pressionar o TRE (leia matéria abaixo), e voltou para o Rio.

A essa hora o seu padrinho, Cabral, está passando uns dias em Nova York, porque ninguém é de ferro, e ele ficou com a bomba na mão.

Hoje de manhã (29) ele deu uma entrevista na rádio Band News onde o Ricardo Boechat perguntou na lata se ele ia nomear o Senador Crivella para a secretaria de urbanismo, coisa que teria sido acertada durante a campanha do segundo turno e noticiada não por mim, mas pelo próprio Boechat em seu programa de rádio, sem falar que antes o jornalista Ricardo Noblat em seu blog no Globo publicou o que seria o preço do apoio de Crivella a Paes: 5 milhões para pagar as suas despesas de campanha e apoio para a eleição para o cargo de senador em 2010, esse foi um dos primeiros escâdalos da candidatura Paes ainda no segundo turno.

A resposta de um assustado Paes foi um peremptório "não", ele afirmou que não ia dar cargo pra nenhum político e coisa e tal que ela ia querer quadros técnicos e demais blá, blá, blás.

Mas ficou a impressão que ele teve que sair da saia justa colocada pela velha raposa, todos queriam ouvir de sua boca um sim ou um não, prevaleceu um não, e ele acabou a entrevista correndo, porque com certeza os celulares de seus assessores deviam estar urrando impropérios de seus aliados.

Aí talvez explique-se a reunião de guerra hoje na Câmara dos Vereadores, que durou o dia inteiro, e teve essa decisão de espera quinze dias.

Para quem prometeu muito, não para o povo, mas sim para os aliados, ele parece que vai entregar muito pouco ou quase nada.

Mas um parentesis nessa história, notaram que ele já pediu dois prazos de quinze dias? Isso tem um porquê.

É que ele tem que apresentar as contas de campanha para o TRE no dia 4 novembro, se elas não forem aprovadas Paes não será diplomado e sua candidatura será anulada.

Por isso ele ainda não está fazendo nada, porque não há o que fazer, ele aprontou muito na campanha e não adianta vir de fanfarronice como o que está destacado no texto da reportagem, porque com a lei e a justiça não se discute, cumpre-se.



quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Achaque em Brasília

Do JB Online, achei tão interessante que resolvi fazer um post à parte.

http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/10/29/e291016711.html

Cabral e Paes agradeceram tranqüilidade das eleições à Ayres Britto

Renata Victal, JB Online

RIO - O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o prefeito eleito da cidade, Eduardo Paes, ambos do PMDB, agradeceram nesta quarta-feira à tranqüilidade das eleições ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto.

O encontro ocorreu no gabinete do ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). O governador disse que o ministro cumpriu com firmeza o processo eleitoral no país.

- O ministro é um presidente do TSE que vai marcar sua passagem pela firmeza. A maneira suave dele ser não se contrapõe à maneira enérgica de agir em favor da democracia - afirmou o governador.

O prefeito eleito também elogiou as posições adotadas pelo presidente do TSE na condução do processo eleitoral. Sustentou que, durante a campanha, sempre foi um dos candidatos que se manifestaram favoráveis às medidas adotadas e que as eleições na cidade do Rio de Janeiro transcorreram “com toda a normalidade”.




Toda vez que leio uma notícia dessas sempre coloco uma pergunta: "A quem interessa isso? O que eles querem dizer com isso?".

Porque está claro que desde domingo Cabral e Paes estão em uma maratona de marketing institucional para fazer parecer que a eleição foi legítima, o que está longe de ser considerado verdade.


O cúmulo da cara-de-pau foi fazer o discurso de inversão, em que ele fala aquilo que justamente não quer que aconteça ou o que está em desacordo com a realidade, eu destaquei essa parte em negrito no texto da notícia.


Isso mostra que os dois querem legitimar algo que ainda não é reconhecido pelo oficialmente e sua ida a Brasília para "agradecer" a postura do TSE é uma afronta além dos limites do aceitável, já que eles são os principais investigados.

Está bem claro que o TSE está apurando as denúncias que vieram a público desde o início do segundo turno, inclusive a PF já foi acionada para investigar o caso, o que levará a várias linhas de investigação como a distribuição de cestas básicas na Rocinha, ou a boca-de-urna feita por vereadores e suas equipes de cabos eleitorais pelos subúrbios da cidade.


Mas uma coisa é clara, para mim pelo menos, é que os votos que Eduardo Paes recebeu nessa eleição foram obtidos de forma ilegítima, porque foram conseguidos de forma ilegal, e usando instrumentos ilegais, que iam de lanches pagos com dinheiro público federal, uso de imagens de Unidades de Pronto Atendimento que é de alçada estadual assim como a pura e simples coação de grupos armados.


Coação, mentiras e suborno, foram essas as três armas utilizadas na campanha de Eduardo Paes
.

Era comum andar pelas ruas onde estavam os cabos eleitorais do candidato do PMDB e ouvir "Gabeira é 15!", eu mesmo ouvi isso várias vezes e muitas pessoas foram induzidas a votar errado por causa dessas manifestações.

A distribuição dos panfletos apócrifos também foi um dos elementos usados para ludibriar a boa vontade das pesoas, principalmente as mais humildes, cujo contteúdo acusava o candidato do PV de usuário de drogas e defensor da prostituição, até mesmo absurdos como dizer que ele iria tirar páginas e livros da bíblia.

Tudo isso está documentado no TRE, só o material apreendido passa de 25 toneladas, isso de material de campanha, ainda há faixas e cartazes de Paes espalhados pela cidade, principalmente Zonas Norte e Oeste.

Outro fato grave que só agora está sendo realmente percebido em sua real dimensão foi a antecipação do feriado do funcionalismo público para a segunda-feira após a eleição, isso para mim fere a moralidade na gestão da máquina pública, porque apesar de ser atribuição do governador decidir a data, não deveria tê-lo feito para coincidir
com o dia seguinte da eleição e assim criar um feriado prolongado.

Foi perceptivel que nos bairros com renda média superior a abstinência chegou a incríveis 30%, enquanto nos bairros mais pobres essa abstinência foi quase que a metade disso.

O que podemos considerar com essa constatação?

Que o uso da máquina pública para favorecer o candidato do partido do governador influiu no resultado?

É claro que sim, na imagem abaixo (
clique com o botão direito para abrir em outra janela e visualizar em formato maior) temos um relatório final de votos e localidades, o número de abstenções diminui à medida que se vai para os subúrbios, como o adensamento populacional nas zonas norte e sul é maior e nos bairros periféricos é menor, fica claro que apesar de ganhar percentualmente em algumas regiões, quantitativamente o número de votos foi menor para Fernando Gabeira.







Eu diria que ainda é cedo para dizer se minhas considerações estão corretas, mas eu diria que pelo prisma da sensatez elas estão corretas, resta saber se essa mesma sensatez será usada pelos desembargadores do TRE e do TSE quando forem julgar este caso.

Uma cidade inteira depende desse resultado para saber se poderá no futuro confiar nas insituições ou se estamos caminhando irremediavelmente para se tranformar em uma Benedito Leite de 10 milhões de habitantes..

Direto do Clipping da Presidência da República


'A partir de amanhã, vamos unir esta cidade'
Autor(es): Maiá Menezes, Luiz Ernesto Magalhães e Flávio Tabak O Globo - 27/10/2008

Paes dedica a vitória a Cabral e elogia empenho de Lula; com a casa cheia, ele acompanha a apuração sozinho

Na sua primeira aparição como prefeito eleito, Eduardo Paes fez, ao lado do governador Sérgio Cabral, uma declaração de fidelidade ao aliado de primeira hora.

- Dedico esta vitória ao homem que mudou a maneira de se fazer política no Rio. O grande responsável por esta vitória é o governador Sérgio Cabral. O Rio vai ter a partir de agora um trabalho de parceria com o governo do estado, a prefeitura e o governo federal - disse ele na porta de sua casa, num condomínio na Barra.

Paes também elogiou o empenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem falou ao ao telefone, passado a ele por Cabral, logo após a constatação da vitória:

- Quero agradecer ao presidente Lula, que foi parceiro e teve a capacidade de vir junto com a gente nesse caminho, percebendo que o Rio está acima de qualquer coisa. Lula é um vitorioso no Rio.

No telefonema para Lula, Cabral disse que "todas as sedes do Rio" agora trabalham com ele.

Choro no abraço em Cabral

Apesar da presença de autoridades como Cabral e o secretário-chefe da Casa Civil, Régis Fichtner, de familiares e de assessores, Paes acompanhou a apuração sozinho, num dos cômodos de sua casa. Ao constatar que a vitória estava garantida, o primeiro a abraçar foi Cabral. Ambos choraram. Em seguida, abraçou a mulher, Cristine, e os filhos Bernardo, de 4 anos, e Isabela, de 2. A celebração foi feita com champanhe.

- Esperávamos uma vitória apertada, mas não tanto - disse Fichtner.

Sobre a divisão do eleitorado, Paes comentou:

- A partir de amanhã (hoje), vamos unir esta cidade. Esta é uma cidade cheia de contrastes e diversidades, mas vamos uni-la.

Paes disse ainda que seu primeiro ato como prefeito será acabar com a aprovação automática nas escolas municipais.

O domingo do candidato foi marcado pela religiosidade e por algumas irregularidades eleitorais. Paes visitou três igrejas, locais de votação e fez promessas a eleitores em bairros do subúrbio. O peemedebista chegou para votar no clube de golfe de São Conrado por volta das 9h. Antes, sem a imprensa, fora à Igreja da Penha e à de São Jorge, em Quintino. Acompanhado da mulher, Cristine, e dos dois filhos, saiu da seção eleitoral dizendo que iria percorrer a cidade de carro: - Agora a gente vai caminhar por aí. Vou dar uma rodada pela cidade. Quero pedir para aqueles que votam na gente que conversem com as pessoas, votem e peçam votos. A "rodada" foi de aproximadamente 250 quilômetros, incluindo Barra da Tijuca, Santa Cruz, Bangu, Realengo, Madureira, Campinho, Sulacap, Cascadura, Madureira e Barros Filho. Paes entrou em duas seções eleitorais para conversar com eleitores. Uma dentro da escola Frederico Trotta, na Barra, e outra no Ciep Ulysses Guimarães, em Curicica, Jacarepaguá. Dizia apenas "bom dia" para quem estava prestes a votar. No Ciep, chegou a ficar próximo da cabine de votação. Uma mesária decidiu homenagear o candidato cantando uma versão da música "Como uma deusa".

Para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), a simples presença de um candidato no local de votação que não seja o seu configura propaganda fora de hora e ilegal. - A ida aos locais de votação é considerada um pedido de voto implícito. Nossa equipe produziu um relatório que será enviado para o juiz responsável - disse o chefe de fiscalização do TRE, Luiz Fernando Santa Brígida.

Na 3ª igreja, bênção de padre

Paes pretendia visitar mais seções eleitorais, mas foi advertido pela equipe jurídica.
- Recebi orientação dos meus advogados para não entrar mais em zona eleitoral. O advogado disse que nada na lei proíbe, mas acho melhor não entrar. Na dúvida, é tanta chateação que vou ficar só dando tchauzinho - disse Paes, que também reclamou do excesso de regras. - A gente fica com medo porque nada pode. Daqui a pouco vão prender e amarrar os candidatos em casa. Ao visitar o bairro Santa Margarida, em Campo Grande, Paes chegou a fazer promessa de campanha aos moradores em pleno dia de votação, enquanto comia um bolo de abacaxi e via seus correligionários gritarem "é 15 na cabeça". - Anotem aí: vou botar calçada, meio-fio e drenagem aqui. Vou urbanizar isso aqui tudo. Só não vou pintar o meio-fio de ouro porque é desperdício - disse o candidato, que voltou atrás quando percebeu a irregularidade. - Não posso falar essas coisas senão vão falar que estou prometendo para ganhar voto.

Depois de Campo Grande, o candidato seguiu com a sua comitiva, em carro aberto, para a comunidade de Barros Filho, na Zona Norte. Ao chegar, foi recepcionado com fogos de artifício, sinal do tráfico para a presença de visitas estranhas. O comboio que acompanhava o candidato deu meia-volta e seguiu para outros bairros.

O peemedebista ainda visitou a terceira igreja do dia, a Paróquia Cristo Operário Santo Cura D´Ars, em Vila Kennedy. Paes recebeu a bênção do padre José Carlos Lino de Souza. Para fugir do calor, chamou jornalistas para dentro de uma van de sua comitiva. Ali mostrou a música feita por jovens católicos, que classificou de "hino da campanha".

- A letra diz assim: "Aquilo que parecia impossível/ Aquilo que parecia não ter saída / Aquilo que parecia ser minha morte/ Mas Jesus mudou minha sorte, sou um milagre e estou aqui - cantarolou o candidato, dentro da van.

Ao responder se a visita a três igrejas católicas no dia da votação seria um sinal para o eleitorado religioso, Paes disse que o ato não era político:

- Recebi o apoio de várias igrejas evangélicas, mas sou católico. Em toda eleição que disputo, sempre subo a Igreja da Penha. A esta altura da vida, eu dou sinal pra mim mesmo.




Bom, vejam só a coisa, o candidato sai pelas ruas da cidade em plena campanha, desobedecendo as leis eleitorais, não só ele, seus aliados também, tem relatos de que vereadores eleitos em seus currais eleitorais foram às ruas pedir votos para o Paes em uma clara afronta ao TRE. Os trechos negritados da reportagem do Globo são para chamar a atenção mesmo, nesse único dia o candidato cometeu várias infrações, sendo uma grave que era invadir as seções eleitorais. O TRE colocou fiscais atrás ele e de sua equipe, como também colocou atrás de Gabeira, mas até o momento nenhuma acusação, nem que seja leve, foi relatada contra o candidato do PV, ao contrário Paes e sua máquina eleitoral é um compêndio de como fazer campanha ignorando as regras.




Mas temos mais coisas, importantes, a prestação de contas da campanha:

http://odia.terra.com.br/politica/htm/prestacao_de_contas_de_candidatos_e_comites_e_ate_dia_4_209583.asp

Prestação de contas de candidatos e comitês é até dia 4

Brasília - O prazo para os candidatos a vereador e candidatos a prefeito que não disputaram o segundo turno prestarem contas referentes ao primeiro turno termina no próximo dia 4. Esse também é o prazo para os comitês financeiros encaminharem à Justiça Eleitoral suas prestações de contas. Todos os candidatos que solicitaram o registro de candidatura devem prestar contas, mesmo os que tiverem desistido ou tiveram o registro indeferido pela Justiça Eleitoral.

Nenhum candidato poderá ser diplomado antes que suas contas sejam julgadas. Apenas os candidatos a vice-prefeito estão dispensados de prestar contas individualmente. A movimentação de despesas, se houver, tem que ser registrada na prestação de contas do candidato a prefeito. Para os candidatos a prefeito que concorreram no segundo turno o prazo vai até o dia 25 de novembro.

O candidato que não entregar a prestação de contas no prazo terá sua quitação eleitoral suspensa automaticamente e será notificado pelo juiz eleitoral para que o faça em 72 horas. Se não atender às determinações do juiz, como conseqüência, as contas serão julgadas não prestadas, ficando impedido de obter certidão de quitação eleitoral durante o período do mandato para o qual concorreu.

Além disso, poderá ser enquadrado no artigo 347 do Código Eleitoral: "recusar alguém cumprimento ou obediência a diligências, ordens ou instruções da Justiça Eleitoral ou opor embaraços à sua execução. Pena com detenção de três meses a um ano e pagamento de 10 a 20 dias-multa".

As informações são do Terra.


E no topo da página temos a reprodução de hoje do jornal O Dia que deu o devido tratamento à matéria sem distorcer os fatos, ao contrário da Globo, que insiste em dizer que o movimento é de "gabeiristas frustrados", a verdadeira frustação da Globo é nunca estar no lado do povo na hora certa, foi assim na eleição do Brizola, foi assim, nas Diretas-Já, foi assim com o Collor (depois ela aderiu, mas aí era tarde o povo já estava mais do que consciente do seu papel), e por último na reeleição do Lula em que deixaram de noticiar o acidente da Tam na amazônia para publicar na primeira página uma montagem com uma pilha de dinheiro, dizendo ser o do tal "mensalão".

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

E o movimento se espalha

O Dia Online


http://odia.terra.com.br/rio/htm/dez_mil_protestam_contra_resultado_da_eleicao_na_cinelandia_209427.asp

Dez mil protestam contra resultado da eleição na Cinelândia

Rio - Um movimento denominado "Pró-Democracia" marcou para esta sexta-feira, às 14h, uma manifestação por eleições sem manipulações. Em comunidade em um site de relacionamentos, já são mais de 10 mil membros que se preparam para o movimento em frente à Câmara dos Vereadores.

"Esta comunidade foi feita com a intenção de reunir todos os cidadãos cariocas que anseiam por eleições mais limpas e democráticas, com lisura e sem manipulações", diz a descrição no Orkut.

"Queremos deixar bem claro que nosso movimento é PACÍFICO, DEMOCRÁTICO, APARTIDÁRIO e ESPONTÂNEO", afirma o texto, com os destaques em caixa alta.

A concentração começa ao 12h e segue pela Avenida Treze de Maio até a Avenida Rio Branco, até o Tribunal Regional Eleitoral.

"PEDIMOS QUE NÃO LEVEM BANDEIRAS, CAMISAS OU ADESIVOS DE PARTIDOS, TIMES DE FUTEBOL, GRUPOS RELIGIOSOS. SERÁ ÓTIMO QUE LEVEM BANDEIRAS DO RIO DE JANEIRO, BANDEIRAS DO BRASIL, NARIZES DE PALHAÇO E QUALQUER MANIFESTAÇÃO PACÍFICA E IMPARCIAL CONTRA O OCORRIDO", afirmam os organizadores do protesto, também em caixa alta.


E também na Folha:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u461754.shtml

Membros de comunidade do Orkut querem invalidar eleição de Eduardo Paes no Rio


ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio

Um movimento articulado por jovens através do site de relacionamentos Orkut pretende invalidar o segundo turno da eleição para a Prefeitura do Rio de Janeiro. O pleito deu a vitória ao candidato Eduardo Paes (PMDB), mas eles alegam que houve crimes eleitorais na campanha do peemedebista que justificariam a anulação da votação de domingo.

A assessoria de imprensa do prefeito eleito disse à reportagem da Folha Online que não iria comentar o assunto. A posição, por enquanto, é que o movimento não se justifica, pois supostas irregularidades serão julgadas pelo TRE-RJ.

Os militantes do Movimento Pró-Democracia, que nega ligação com o candidato derrotado Fernando Gabeira (PV), farão uma passeata nesta sexta-feira, às 12h, na Cinelândia, no centro do Rio. De lá eles devem seguir em direção ao TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro.

Às 14h15 desta quarta-feira, a comunidade do movimento no Orkut tinha 10.267 membros, a maioria estudantes. As reclamações contra Paes citam suposta boca-de-urna no último domingo, campanha difamatória contra Gabeira e suposto uso eleitoral da máquina pública do governo do estado.

"O candidato Eduardo Paes se aproveitou dos eleitores, roubando-lhes a dignidade em troca de merendas. Além disso, jogou sujo com seu adversário de campanha, apelando para as ofensas. Seus meliantes cometeram inúmeras irregularidades e sua 'campanha' foi vergonhosa para o Rio. Nosso objetivo é pressionar o TRE a tomar medidas severas contra esses crimes eleitorais e ressuscitar a democracia", diz o manifesto enviado pelo usuário Matheus Souza.

Procurado pela reportagem da Folha Online, o deputado Fernando Gabeira disse não ter nenhum envolvimento pessoal com o movimento. "Tenho conhecimento [do movimento], mas estou mais empenhado em deixar o TRE concluir suas investigações", disse.

Gabeira afirmou, porém, que pretende entrar com ação no TRE contra as supostas irregularidades. "Eles [TRE] vão nos dar a síntese de tudo que estão fazendo e nós vamos examinar e provocar [uma ação]. Para nós, o importante é confiar na Justiça. Não farei nenhum tipo de pressão", disse o candidato derrotado.


Correio Brasiliense:

http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_3/2008/10/29/noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=44439/noticia_interna.shtml

(é uma cópia do UOL, que é uma agência de notícias, mas só o fato de estar saindo num jornal em Brasília já fará aguçar a curiosidade de muita gente.)



E na Tribuna da Imprensa

http://www.tribuna.inf.br/coluna.asp?coluna=fato

Ontem, vários leitores escreveram para esta coluna demonstrando grande indignação com a organização do segundo turno da eleição no Rio. São relatos e questionamentos dos mais diversos bairros que merecem apuração e esclarecimentos por parte do Tribunal Regional Eleitoral. Um dos depoimentos veio da Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio. O cidadão-eleitor afirmou que a falta de fiscalização na região no domingo, além da ausência das tropas federais nos ditos currais eleitorais, ao contrário do primeiro turno, permitiram que a bandalha fosse generalizada. A panfletagem e a boca-de-urna correram solta.

Um exemplo citado e merecedor de revolta foi o de uma casa que presta "serviços assistenciais" à comunidade, recebe verba municipal e descaradamente mantinha sobre sua entrada principal uma enorme placa do candidato vitorioso. Detalhe, o imóvel pertence a um vereador eleito e de grande influência na área.

E, sem parar por aí, outro leitor informou que na noite da eleição, uma comunidade virtual foi criada em um site de relacionamentos da internet e, em apenas dois dias, já tem mais de 8 mil integrantes. Todos contrários ao modo pelo qual ocorreu a eleição no Rio. Eles fazem questão de dizer que não são partidários, fãs do candidato derrotado ou coisa e tal. Apenas não admitem ver tanto desrespeito com a sociedade.

O TRE-RJ em breve mostrará o cruzamento de informações do segundo turno. Caso sejam registrados casos em que eleitores que tenham justificado ausência apareçam ao mesmo tempo como votantes, todos esperam uma resposta à altura dos responsáveis. Não é possível continuar tapando o sol com a peneira.


JB Online

Movimento espera reunir 10 mil jovens sexta-feira na Cinelândia

Carolina Bellei, JB Online

RIO - Jovens insatisfeitos com o resultado do segundo turno das eleições do Rio de Janeiro e com a maneira como as campanhas foram feitas resolveram fundar um movimento chamado "Pró-Democracia".

No início eram apenas oito universitários, que criaram uma comunidade em um site de relacionamento e em seguida um blog. Com mais de três mil adesões no primeiro dia, o movimento cresceu e, sexta-feira, a expectativa é reunir mais de 10 mil pessoas, a partir das 12h, em frente à Câmara dos Vereadores, no Centro.

Os organizadores pedem que todos se vistam de preto e ressaltam que se trata de uma manifestão apartidária e espontânea.

- Não queremos levantar bandeira de nenhum partido ou candidato, por isso pedimos que todos usem preto. A idéia é chamar atenção para que a democracia seja feita. Queremos cobrar isso dos ficais – afirma Gabriela Franco, de 22 anos, estudante de direito, uma das organizadoras da passeata.

Matheus Castro, 16 anos, estudante do ensino médio, conta que a idéia de criar um movimento surgiu depois da apuração das eleições. Desde então, foram realizadas duas reuniões com as pessoas que entaram na comunidade no site de relacionamento – já são mais de 10 mil - e com os leitores do blog. Nesta quarta-feira, mais de 100 jovens se reuniram no local onde a passeata terá início.

- Não queremos mais suportar campanhas sujas. No Tribunal Regional Eleitoral vimos uma caixa com panfletos aprócrifos – se indigna Matheus. – Não vamos esquecer e queremos mostrar ao povo que todos podem acompanhar os processos.



E como sempre, dona Globo distorcendo tudo:

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL842096-5601,00-ELEITORES+DE+GABEIRA+ORGANIZAM+PROTESTO+CONTRA+RESULTADO.html

Eleitores de Gabeira organizam protesto contra resultado

Simpatizantes do deputado Fernando Gabeira, candidato derrotado do PV à prefeitura do Rio, estão convocando pela internet um protesto contra o resultado da eleição na cidade para amanhã. Logo após a apuração, no domingo, eleitores do candidato criaram uma página no site de relacionamentos Orkut para discutir o que consideram flagrantes de boca-de-urna do segundo turno, que teriam favorecido Eduardo Paes (PMDB), que ganhou a eleição. Em três dias, a comunidade já contava dez mil adeptos.

"Cogitamos entrar em contato com o Gabeira, mas percebemos que isso ia contra um dos ideais do movimento, o apartidarismo. Mesmo ele participando como cidadão, as pessoas teriam uma visão errada. Por essas e outras queremos distância dos políticos em nosso protesto", disse Matheus Tavares, 17 anos, que foi o autor do manifesto intitulado "Movimento Pró-Democracia", que deu origem ao movimento.

O manifesto se espalhou pela internet em blogs, mensagens instantâneas e correntes de e-mails. Panfletos virtuais convocam "indignados" para uma passeata no centro do Rio amanhã. Vestindo preto, os jovens que tem trocado mensagens freneticamente nos últimos dias pretendem se concentrar na Cinelândia e seguir até a sede do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), para pressionar a Justiça a investigar denúncias de propaganda negativa contra Gabeira. Eles levarão denúncias que estão reunindo pela internet.

Embora o movimento se defina como "apartidário, pacífico, espontâneo e democrático", os envolvidos não escondem que são eleitores de Gabeira. A manifestação está sendo planejada seguindo as linhas da campanha do verde, como uso intensivo da internet, material artesanal e cidade limpa. Cada grupo tem a missão de certificar que panfletos não serão jogados no chão durante a caminhada. As convocações são distribuídas pela internet e cada um imprime quantos quiser para cumprir a tarefa de atrair participantes no boca-a-boca.



Aos poucos a grande mídia começar a captar sinais do que está se tornando um grande rastilho de pólvora cujo rumo é o TRE, que dependendo de sua resposta o direcionará para a cadeira do candidato a prefeito eleito (e não diplomado) Eduardo Paes.

Na comunidade já começam a aparecer as primeiras ameaças, anônimas é claro, de pessoas incomodadas (ou representanto os incomodados), já existem relatos reais de voluntários da campanha do Gabeira queforam intimidados por milicianos armados no dia da eleição do segundo turno, inclusive um que foi obrigado a apagar as fotos que fez na camera digital de seções eleitorais onde eram entregues lanches aos cabos eleitorais que faziam boca-de-urna impunemente.

Outro depoimento, esse colhido no blog Zona Eleitoral, diz que a equipe do deputado Picciani intimidava eleitores que iam votar dizendo que tinham como saber onde eles moravam.

Coisas assim foram rotina nessa eleição, e isso aos poucos não só vai minando a confiança das pessoas no próprio aparato do estado, que não as defende e só serve para reprimir e agredir, como um dia a coisa pode chegar a um ponto de ruptura da ordem em que se perde o respeito, e no lugar dele surge o medo e principalmente o ódio.

Não que eu queira que isso aconteça no Rio de Janeiro, mas da maneira como os governantes vem tratando a política no país, principalmente nas grandes cidades, um movimento de revolta pode eclodir a qualquer momento.

Não ESTE movimento, este é pacífico, sem sombra de dúvida, é formado por uma nova geração de eleitores, que a apesar da idade, posseum muito mais cultura geral do que um jovem da mesma idade a vinte anos atrás.

E com este canhão na mão chamado internet fica muito mais fácil as pessoas se comunicarem, seja por blogs, ou por comunidades do Orkut, isso é um fenômeno que muitas mentes atrasadas não conseguem absorver, quanto mais os quarentões que se pensam "mudernos " e jovens, os aventureiros da política como o jovem candidato eleito, que se acha mais esperto que os eleitores, mas ele pecou em um detalhe, que não se deve subestimar a força do povo.

Foi o povo que enfiou a estaca no coração da ditadura militar, foi o povo que foi para as ruas pedir as diretas e depois foi ele mesmo que foi às ruas empurrar o prefeito collorido para fora de Brasília, da mesma forma foi o povo que colocou o atual presidente no cargo, contrariando as previsões dos especialistas em análise política.

O que assistimos a três dias, o resultado de uma eleição que não correspondia ao sentimento das pessoas, ainda está entalado na garganta do povo, e esses jovens serão a sua voz.

O Gabeira? Vai bem obrigado, o partido soltou uma nota dizendo que os advogados já apresentaram as denúncias e estão esperando o parecer do TRE, tudo muito burocrático e frio, a impressão que tenho é que perderam o bonde da história.

Melhor assim, melhor estarmos gritando em nome de 4 milhões de habitantes do que apenas os 1 milhão e 600 mil que votaram no Gabeira.

Porque assim estaremos lutando por eleições mais limpas no futuro, pouco importando o candidato, partido ou coligação política.

Estamos cansados de esbulho eleitoral, essa cidade do Maranhão é um exemplo do que poderá acontecer no futuro se não tomarmos uma atitude agora:


http://g1.globo.com/Eleicoes2008/0,,MUL836337-15693,00.html

300 homens reforçam segurança em Benedito Leite, onde terá novo 1º turno

Urnas foram queimadas e votação do primeito turno foi cancelada.
Cidade tem pouco mais de 5 mil habitantes, segundo o IBGE.

Mais de 300 homens das polícias civil, militar e federal, além de soldados do Exército, patrulham as ruas da cidade de Benedito Leite neste sábado (25) para garantir a segurança da eleição, de acordo com a Agência Brasil.

No domingo (26), ocorrerá novamente o primeiro turno, disputado por três candidatos.

A eleição do último dia 5 de outubro na cidade foi cancelada após a queima de 16 urnas eletrônicas no dia da votação. Parte da população se revoltou ao saber que quase 400 eleitores tiveram o título cancelado um mês antes do pleito. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a cidade tem cerca de 5.300 habitantes. O Tribunal Superior Eleitoal diz que o município tem 4.200 eleitores.

“Não é uma operação de guerra, é uma operação normal, assim como nós atuamos em mais de 140 municípios na última eleição, vamos atuar em Benedito Leite com o mesmo enfoque. É para que a população se sinta segura e para evitar fatos lamentáveis como o que aconteceu no incidente do primeiro turno”, disse à Agência Brasil o coronel Antônio Santiago, comandante do Exército no local.

Em Benedito Leite, a apuração dos votos será feita no TRE Móvel, um ônibus do Tribunal Regional Eleitoral maranhense instalado no centro da cidade.




O recado está dado, a imprensa já está falando, e a Globo deturpando tudo, como sempre, mas já estamos acostumados, como diz o slogan "Globo e você, nada a ver."




terça-feira, 28 de outubro de 2008

A conta que não fecha

Faz 48 horas que eleição carioca foi encerrada, e ainda não foi digerida.

Basta andar pelas ruas, o silêncio das pessoas, uma certa irritação no ar, a impressão coletiva que nos fizeram de palhaços nos persegue em todos os cantos, nem os que votaram no vencedor estão comemorando, como se tivessem medo ou vergonha de terem participado de uma patifaria sem precedentes da história da política brasileira.

A primeira coisa que nos salta aos olhos é a questão da abstenção: como pode quase um milhão de pessoas, quase 1/4 do eleitorado, ter deixado de votar em uma eleição cuja a polêmica estava estampada em toda a cidade, que como em uma novela a cada dia se esperava um novo desfecho, um novo escândalo, envolvendo panfletos apócrifos, agressões e metiras generalizadas?

Muita gente, inclusive eu, apostou que Eduardo Paes teria sua candidatura impugnada, quando uma Kombi carregada de santinhos e folhetos apócrifos, faixas e cartazes de um pretenso movimento "sou suburbano" foi encontrada, depois a tentativa de agressão ao Gabeira em frente a um shopping na Zona Oeste, declaração de que iriam fazer e acontecer caso ele aparecesse em algum lugar.

Mas nada aconteceu, passamos três meses ouvindo propaganda do TRE para que observássemos os candidatos, Paes era um compêndio de desobediência às leis, praticamente só não praticou agressão física com as próprias mãos, mas seus seguranças sim.

O nível de gangsterismo de sua campanha foi tal que várias comunidades da Zona Oeste ficaram reféns de seus militantes, no dia da eleição eles iam de casa a casa falando barbaridades do Gabeira, ou circulavam com um carro de som dizendo que a comunidade "estava fechada" com o candidato Eduardo Paes.

Um fato isolado seria suficiente para levantar suspeitas do TRE, seria, mas nem as 25 toneladas de material de propaganda irregular, nem o material apreendido na gráfica com recibo para o PT foram suficientes para tanto.

Aí eu pergunto, adiantou fazer propaganda? Colocar a bonitinha da Lavínia Vlasack grávida falando aquelas coisa pra gente?

O sentimento do povo é de total falta de segurança jurídica, não se consegue punir um candidato nem quando no próprio dia da eleição ele invadia seções eleitorais para intimidar eleitores.

Acho que o povo quer justiça, se a diferença entre os dois candidatos foi de apenas 55 mil votos em um universo de 4 milhões de eleitores, e destes 1/4 não votou, a idéia de que estamos sendo governados pela escolha de uma minoria é verdadeira, e perigosa.

O Movimento Pró-Democracia nasceu no exato momento em que os resultados finais eram divulgados, e agora 48 horas depois, seu site no Orkut tem mais de 8 mil pessoas participando.

Não sei se até sexta-feira, dia da passeata que está marcada, qual será o rumo do movimento, mas até agora percebo uma nítida rejeição a qualquer movimento político ou sindical que queria se aproximar deles.

Acho justo, afinal de contas estaremos lá para pedir justiça não para servir de escada para movimentos político/partidários/sociais que durante a campanha suja de Paes não fizeram nada, sequer formalizaram um mísero protesto contra a forma como a propaganda vinha sendo feita.

O povo resolveu tom ar seu destino pelas próprias mãos, e nada mais justo que os jovens para liderar isso.

Muitos militantes do candidato Fernando Gabeira estarão lá, mas não se enganem, não é um movimento por ele, é contra o que fizeram com ele, essa é a principal diferença.

Mesmo que o TRE reconheça que houve irregularidades e impugne a candidatura de Paes, temos que considerar que ele não venceu, porque boa parte dos votos conseguidos por Eduardo Paes foi feita de uma forma ilegítima, pois foram conseguidos atraves de mentiras e ameaças.

Há centenas de casos relatados no TRE sobre essa eleição, e também há jurisprudência nesse caso, alguns prefeitos já perderam sua candidatura, como o caso do prefeito de Barra Mansa, que ganhou mas não vai ser diplomado porque utilizou a imagem de um UPA em seu horário eleitoral.

Bom se ele usou uma declaração sobre a UPA, o que dizer do Paes, que não só falou delas o tempo todo como também fez uma série de propagandas dentro delas, e pasmem, no melhor estilo Odorico Paraguassu o Governador Cabral inaugurou várias em plena campanha?

E o restaurante popular do Méier, inaugurado também na semana final do segundo turno, que tinha um comitê eleitoral do outro lado da rua e que ficou cercado de bandeiras e cabos eleitorais do Paes?

No momento que escrevo, imagino o que o candidato eleito pode estar preparando para impedir a passeata de sexta-feira, pois teme que o rastilho se acenda e exploda embaixo de sua cadeira, porque ele está ilegitimamente eleito, porque não nos representa, ele sequer representa os que o elegeram, pois ficou o segundo turno inteiro indo nos grotões dizendo que era suburbano para ganhar seus votos, e agora irá lhes dar de presente um lixão em Paciência, porque quem dá a licença ambiental é o Estado e isso já foi resolvido e assinado pelo Governador Cabral.

Aliás, o próprio fez uma cirurgia na língua, para a retirada de um tumor, e o fez em um hospital particular, pois se fosse em um hospital público ele a teria arrancada a sangue frio.

Acho que o momento não é mais para meias-palavras ou atitudes politicamente corretas, o TRE não aplicou as leis eleitorais no candidato Eduardo Paes, e o próprio sabe disso, logo, queremos saber o que aconteceu, porque as sanções devidas não foram tomadas.

O TRE tem até 17 de fevereiro para entrar com o processo, pois as pessoas querem respostas, está claro que a algo está faltando, uma posição final, uma consideração que seja, se nada acontecer até lá e ficarmos assistindo inertes a esse total desrespeito às leis, estaremos abrindo as portas para que as próximas eleições os cabos eleitorais saiam às ruas com facões nas mãos perguntando "manga curta ou manga comprida?".

Trabalho de participação cidadã

Uma das marcas dessa campanha eleitoral foi a chance de se comparar o moderno e o antigo, a passividade e a ação cidadã. O projeto abaixo é uma das sementes que podem ajudar a construir um novo Rio de Janeiro, através da participação REAL do povo, sem esperar pelas promessas vazias de políticos e/ou candidatos em campanha.
Leiam, ajudem, participem:


Matéria do site do Jornal O Dia em 28/10/08

Rio - O Instituto Mobilidade e Ambiente Brasil, formado por especialistas em gestão ambiental e do lixo urbano, fez um alerta nesta terça-feira ao prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, sobre a urgência de ainda no processo de transição do governo serem adotadas medidas preventivas e educativas para combater a proliferação da dengue na cidade.

Ano passado, dezenas de pessoas morreram vítimas da epidemia e milhares adoeceram. Entre as medidas estão uma vigorosa campanha de educação ambiental sanitária com mobilização da sociedade civil, das mais de 1.100 escolas municipais, equipes de postos de saúde, de lonas culturais entre outras instituições públicas e privadas. A iniciativa privada também podem ser mobilizadas para apoiar este processo sócio-educativo custeando a aquisição de exames de sangue, barracas de hidratação, material educativo etc, afirma o instituto.

O alerta destaca ainda que a curto prazo as pessoas podem passar a separar seus resíduos domiciliar entre os materiais recicláveis (papéis, metais, plásticos e vidros), e as matérias orgânicas (cascas, caroços, bagaços, pelancas, ossos, restos de comidas e papéis de banheiros).

A OMA-BRASIL em parceria com a ONG DOE SEU LIXO está cadastrando todas aquelas pessoas que querem doar seus recicláveis (www.omabrasil.org.br), na contrapartida informar o quanto se contribui com a redução de emissões de gases do efeito estufa e outros indicadores. Todos os cadastrados terão seus recicláveis coletados em dia e horários combinados.

Outra idéia é que as lonas culturais e outros equipamentos culturais, e as instalações de instituições públicas e privadas, inclusive empresas, sirvam como base de apoio para realização de exames de sangue da população e para procedimentos de hidratação.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sim, a impugnação é possível

Essa notícia você só vê no UOL:

27/10/2008 - 19h04
Em balanço final, juiz do TRE-RJ diz que tráfico e panfletos anônimos marcaram eleições
Diana Brito
Especial para o UOL
Do Rio de Janeiro

Milícias, tráfico e panfletos anônimos marcaram estas eleições municipais de 2008 no Rio de Janeiro, segundo o juiz Luiz Márcio Pereira, coordenador da fiscalização do TRE (Tribunal Regional Eleitoral).

A pedido do UOL Eleições, ele fez, nesta segunda-feira (27) um "balanço final" dos principais fatos dessa campanha. O juiz afirmou que a investigação sobre os folhetos irregulares contra Fernando Gabeira (PV), um dos temas que dominou o segundo turno, pode levar à impugnação do mandato do prefeito eleito, Eduardo Paes (PMDB).

Os panfletos estão em poder do Ministério Público para serem avaliados. As investigações conduzidas pela Justiça Eleitoral pretendem identificar o autor deles.

"O tempo todo nós trabalhamos para tentar identificar os autores dessa campanha baixa, apócrifa, onde não havia possibilidade de defesa daquele que estava sendo agredido. Houve abuso do poder econômico e até mesmo do poder político", disse Luiz Márcio Pereira.

Outro assunto importante na campanha foi a violência e a coerção de eleitores pelas milícias. "O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fez o que foi possível e encaminhou as Tropas Federais para o Rio", disse Pereira.

Uso da máquina pública


No dia das eleições do segundo turno (26), fiscais do TRE apreenderam kits lanche, com os logotipos dos governos estadual e federal em um comitê de Eduardo Paes, em Madureira, na zona norte da cidade. Os kits tinham identificações com as escritas: "lanche" e "segundo tempo". Para o juiz eleitoral Luiz Márcio Pereira, "essa pode ser uma prova de uso da máquina pública".

"Na apreensão tinha material irregular e bolsas plásticas com os logotipos dos governos estadual e federal. Tudo vai ser avaliado pelo Ministério Público Eleitoral", afirmou o coordenador de fiscalização do TRE.

A assessoria de Paes negou que a propaganda ilegal recolhida em Madureira (zona norte) pertença ao candidato e informou que ele tem apenas um comitê que fica no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio.

Luiz Márcio Pereira concordou com a assessoria de Paes, mas disse que o comitê é da vereadora eleita Vera Lins (PP), aliada do peemedebista, e "estava sendo usado como base para a campanha de Eduardo Paes na zona norte".

No comitê de Madureira, também foram encontrados panfletos apócrifos com fotos de Fernando Gabeira (PV) e do prefeito Cesar Maia (DEM). Na semana passada, fiscais eleitorais apreenderam os mesmos folhetos, mas com a assinatura do PT, PDT, PC do B e PSB.

Paes monta seu ninho tucano na Prefeitura


Muitos deixaram de votar em Gabeira por conta da aliança com o PSDB.

O que será que pensarão dessas primeiras nomeações?


Coordenador da transição será Antonio Pedro Figueira de Melo.

Nas últimas eleições para vereador (22/08/2004), o JB publicou o seguinte sobre ele:

"O ingresso na política, incentivado pelo deputado federal tucano Eduardo Paes, fez Antonio Pedro abreviar uma promissora carreira no mercado financeiro. Hoje, ele é proprietário de um badalado restaurante no Leblon.

Mais velho da turma, com 30 anos, o candidato do PSDB acorda cedo para fazer campanha. Busca votos além de sua praia, a Zona Sul. Nas ruas do Centro, faz panfletagem para fortalecer a campanha e disputa a atenção dos motoristas com ambulantes e malabaristas de sinal. Encerra cada dia com comícios domésticos - de dois a três por noite, sempre marcados com a ajuda de amigos e parentes. Antonio Pedro reconhece que não quer ser vereador por ideologia. Pretende, sim, renovar a Câmara e ''melhorar a vida das pessoas''. Ainda assim, faz questão de se diferenciar dos políticos clientelistas:

- Não atendo a pedidos pessoais, nem digo que sou candidato da Zona Sul ou de determinado bairro - afirma."



E acaba de sair no Ancelmo Góis, no Globo:
Mas não era o secretário de Saúde?

Mas o primeiro secretário anunciado por Eduardo Paes, segundo promessa dele mesmo, não seria o de Saúde? Pois ainda agorinha, no RJ TV, o prefeito eleito revelou o nome... do secretário de Governo, Pedro Paulo, deputado estadual tucano.

Além da promessa não cumprida já no primeiro dia, fica ainda a impressão de que a negociação política está na frente da saúde. É pena.

Ainda sobre Pedro Paulo, no Globo:

"Pedro Paulo, que foi chefe de gabinete de Paes na Câmara de Vereadores, em 1997, substituiu o hoje prefeito na Secretaria municipal de Meio Ambiente em 2001. O deputado fez campanha para Paes mesmo o PSDB estando na aliança com o PV na candidatura de Gabeira."

Outro dado sobre o deputado Pedro Paulo: votou na ALERJ CONTRA a cassação do ex-deputado Álvaro Lins, hoje hóspede de Bangu 8.

Eduardo Paes foi derrotado nas urnas

O carioca está de luto. Há alguém que deve assumir a Prefeitura, mas que não foi referendado nas urnas. A maioria dos eleitores simplesmente não o escolheu como prefeito

A afirmação pode parecer absurda, mas explico já. O Rio de Janeiro tem, em números redondos, 4 milhões, 580 mil eleitores. Desses, 315 mil foram às urnas e teclaram nulo ou branco. Outros 927 mil optaram por simplesmente não comparecer (sobre eles, comento daqui a pouco). E 1 milhão , 640 mil votaram em Fernando Nagle Gabeira.

Façamos então as contas: temos aí 2 milhões, 882 mil eleitores cariocas que se recusaram a votar em Eduardo Paes, contra apenas 1 milhão,696 mil que votaram nele.Uma diferença, portanto, de quase 1 milhão e 200 mil votos. O que se comenta hoje é que a gigantesca abstenção é a culpada por esse desastre. Que muitos foram à praia ou viajaram, deixando de participar do processo eleitoral, o que deu chance à eleição de um prefeito sem representatividade. Mas isso é uma verdade parcial. A verdade é que a abstenção indica, antes de tudo, o não-desejo de voto em qualquer dos dois candidatos. Cabe então, agora, analisar quem foram esses candidatos e quais as suas propostas.

Fernando Gabeira é um homem de 67 anos, cuja vida pública nunca foi segredo para ninguém. Sempre teve um perfil polêmico, de luta por direitos individuais e civis que nem sempre foram aceitos por todos (falo especialmente da questão do uso de drogas e da liberdade sexual). Por conta disso, criou-se em volta de sua imagem um estereótipo de natureza moral, o que fez dele alvo preferencial de preconceitos. O que fez com que sua rejeição fosse naturalmente elevada. Além disso, sendo um político com toda uma história de lutas pela democracia, muitos não aceitaram ver nessa candidatura a aproximação de pessoas que historicamente não parecem afinados com essas idéias (como empresários, banqueiros e militares).

Esses fatores trouxeram um ingrediente de rejeição à candidatura Gabeira, o que talvez explique um pouco aquela “omissão” que citei acima. Mas, por outro lado, houve uma maciça adesão à sua candidatura por parte daqueles que a entenderam como uma candidatura limpa, honesta, ética, verdadeiro contraponto à maquina que se montou do outro lado. Eis a origem da Onda Verde.

Cabe agora analisar a candidatura de Eduardo Paes. Um político jovem, com uma breve carreira política, sempre atrelado à maquina da Prefeitura de César Maia, que após diversas mudanças de partido, foi escolhido pelo governador Cabral para ser o seu representante na Prefeitura. Ou seja, não foi a candidatura de um político, ou de um partido, mas sim a afirmação de um projeto de poder da máquina do governo estadual. Cabe ainda ressaltar que a candidatura foi registrada de forma irregular, já que não foi obedecido o prazo de desincompatibilização do cargo antes ocupado pelo candidato.

E o que assistimos foi o mais brutal uso de máquina eleitoral de que se tem notícia na história recente do país. As ruas da cidade, de norte a sul, foram tomadas por propaganda maciça, regular e irregular, que poluiu a cidade tanto física quanto visualmente, objetivando saturar a população com a imagem do candidato (já que, de resto, trata-se de um político sem luz própria, com perfil burocrático e amorfo). Quando a imagem estava consolidada, entrou em cena a máquina do poder: diversas inaugurações de caráter populista, como UPAs e Restaurantes Populares, que não resolvem os reais problemas da população, que dão aos mais pobres a falsa sensação de amparo governamental, mas que na verdade apenas disfarçam a crônica incapacidade do Estado em prover a infraestrutura necessária para o bem estar da população.

Outro ponto a ser destacado foi a sucessão de crimes eleitorais, inclusive a campanha difamatória contra Fernando Gabeira, em que se destacaram desde boatos espalhados entre a população até a quantidade industrial de panfletos apócrifos, cujo financiamento até agora não está identificado. Fala-se em gastos de campanha em torno de 50 milhões. De fato, a julgar pelo que se viu nas ruas, não deve ter sido muito diferente disso.

Se nada disso pareceu suficiente, ao longo da campanha foi se agregando à máquina um leque de apoios improváveis: partidos ditos de esquerda, sindicalistas, organizações estudantis, políticos investigados por banditismo e até um largo espectro religioso, que misturou no mesmo caldo a Igreja Universal do Reino de Deus e umbandistas, passando pelo fundamentalismo católico da Opus Christi.

De que se trata então, de uma frente de salvação da cidade? Não, trata-se de um projeto de seqüestro da cidade por parte das forças mais vis e retrógradas, com o único objetivo de promover o butim da cidade através do voto. Buscou-se, em especial, o voto dos mais pobres, oprimidos pelo estado de necessidade (que levou à crença nas promessas populistas) ou pelo estado de medo (o domínio terrorista das milícias e/ou traficantes em várias regiões da cidade.

Agora, volto à premissa do título deste texto. Eduardo Paes foi fragorosamente derrotado nas urnas, repito. Foi derrotado porque mesmo com a máquina gigantesca em torno de sua candidatura, não obteve a maioria. Praticamente um terço do eleitorado rejeitou sua candidatura, mesmo não tendo votado em Fernando Gabeira. Foi derrotado porque mesmo concorrendo contra uma candidatura quase quixotesca como a de Gabeira, só conseguiu superá-la, entre os que decidiram escolher um dos candidatos, por magérrimos 56 mil votos.

Então, deixemos de nos culpar por essa eleição. Paes não foi eleito, foi rejeitado, repito. Aqueles que se ausentaram do processo eleitoral fizeram isso porque se recusaram a compactuar com a campanha suja da máquina e porque não viram em Gabeira uma opção. A abstenção foi sim, um ato de democracia.

Cabe-nos agora questionar: será que devemos aceitar passivamente que essa máquina funesta que alcançou a Prefeitura movida por todo esse casuísmo aja livremente, sendo sustentada por nossos impostos, e atendendo a interesses que não são os da maioria da população, já que não foi eleita por ela?

Com a palavra, nós, cariocas.

Lei da mordaça

Bom, pra começar vamos falar da Lei da mordaça implantada na nossa cidade.

Muita gente conhece o Sidney Rezende, âncora da CBN há vários anos, praticamente o fundador da rádio.

Na sexta feira ele foi demitido sumariamente da emissora, provavelmente por ter colocado no ar a notíca de uma pessoa reclamando do atendimento da UPA, isso desagradou a alta cúpula (máfia?) e o governador pediu a cabeça do jornalista.

Nem vou falar do apoio descarado de alguns radialistas a campanha de Eduardo Paes.

Ou seja, estamos assistindo a uma nova era de obscurantismo, o primeiro passo será suprimir a liberdade de imprensa, só saem as notícias que interessam aos donos do poder.

Segundo a emissora a dispensa do jornalista se deu porque a rádio precisa enfrentar a concorrente Band News, outra emissora alinhada com o conluio político nacional que se avizinha.

Para saber mais, o site do jornalista com a versão "oficial".

http://www.sidneyrezende.com/noticia/21219+sidney+rezende+fui+demitido+da+cbn

27 de novembro de 2008 - ANO 1 - Primeiro post

Olá a todos.

Estou começando esse blog hoje, primo-irmão do SOS Autódromo RJ, diria que este será uma continuidade dele, mas muito mais abrangente.
O que era antes a luta contra o desperdício de dinheiro público em equipamentos esportivos agora se tornou a luta contra essa mediocridade mental e política que tomou conta de nossa cidade.

Espero que gostem, e espero que muitos outros não gostem do que vou dizer aqui, está na hora de termos nas nossas mãos nossos destinos e não ficarmos servindo de gado de abate para esses chacais que sequestrarm nossos direitos políticos.